Sunday, June 27, 2010

Conectando...

O leva uma pessoa a querer que o outro tome uma decisão por você?
Quantas vezes quando você está no auge da superexposição de sua personalidade marcante e ouve seus sensatos colegas oportunos se projetarem com frases do tipo: ¨ -Você está se exagerando! Vai se queimar assim! Menos!!! ¨
Mas na verdade este comedido, ponderado e encaixotado ser, está sentindo uma puta inveja de não poder ser original e autêntico como você.

Quantas vezes não ouviram a frase: "-Não é você, sou eu.¨
Daí você fica remoendo se a pessoa se abriu com você e está te poupando ou, se realmente você não a agradou e a pessoa que é incapaz de dizer isso na lata. A solução é ler nas entrelinhas.

O que quero dizer é que espontaneidade e caretismo sempre rivalizarão. Opostos, e harmônicos, como se chocassem cara-a-cara num espelho. Ora é importante seguir as regras da sociedade, ora é importante quebrá-las. Uns tem mais talento pra quebrar, fazem isso naturalmente. Outros seguem e se adaptam de maneira quase que darwinista. Evolução e revolução.

O que é importante pra cada um fica registrado na memória. A soma da herança genética com cultura adquirida resulta na nossa personalidade. Em outras palavras, pra ser mais técnico, ontogênese e filogênese.

As vezes essas culturas entram em choque, nesta hora reavaliamos nossas origens e procuramos negar o que nos incomoda, e muitas vezes, sem se preocupar com o que realmente queremos. Negamos com facilidade, mas decidimos com angústia. Questionamento típico das gerações. Negamos valores passados, ao passo em que tocamos os nossos de acordo com o que convém. De um lado nos encarregamos sem muito esmero de preparar o terreno ético para nossos filhos, e do outro dedicamos a maior parte do tempo de nossas vidas conectados com quem não é realmente importante pra nós.

Conectar-se a si para se conhecer, mas conectar-se aos outros para se ver.

Ficar sozinho nos faz sair de nosso corpo e nos olhar com nosso julgamento, nosso critério, pouco exigente, mas confortável, amigo, íntimo e conivente muitas vezes. Em sociedade o julgamento vem de vários pontos, implacável, duro e impiedoso. Uma pessoa numa colina super alta e isolada de tudo não pode dizer que é sábia, se não interagir. Do contrário é uma sabedoria sem vivência. Muitas vezes a sabedoria só pode vir da vivência, da interação. Não necessariamente com humanos.

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